terça-feira, julho 06, 2004

Pássaro de Fogo


04.07.04

Sem sentir, sem viver, sem saber, sem mostrar, sem perceber... mas na Fé o Pássaro de Fogo está. Ele habita lá no centro da esfera armilar que o protege de ser absorvido antes de se ter apresentado como Algo Único. A esfera protege-o até que, um dia, as suas hastes começam a ceder porque, nesse momento, é chegada a hora, e esse Pássaro, que simplesmente era uma centelha que alimentava a Vida Humana, passa a habitar essa Vida... A esfera dilui-se e Ele passa a abarcar tudo o que até então é manifesto e assim revela a sua eterna e sempre constante existência oculta. O ganho é o da consciência azul como o mar que se enamora pela história e a conta e reconta vezes sem fim. A história de um Pássaro de Fogo para ti e outro para mim...

O vôo que esta ave descreve não é direccional mas sim circular e abrangente. Agora Ele está livre de tocar todos os pontos da Criação. A ponte está a descoberto pois Ele é a própria Ponte, Ele é o próprio Caminho, Ele é aquilo que sempre procurou. E a verdade é que quando o Homem fez o seu melhor, se esforçou e se alegrou com seu suor, soube que o seu Ser estava muito por perto! Ali: a esfera dava-lhe espaço e a visão do mundo transformava-se e viver era algo mais fácil, muito mais fácil, muito mais fluído. Tudo era uma aventura, era uma alegria, uma evolução, um progresso contínuo, um plano há muito desenhado por nós mesmos de nós para nós para sentirmos o Amor que era em nós.

Foi um movimento que permitiu um descanso que eternizou um ritmo! Para quê? Responder só com o coração: sem tudo isto a Ponte não seria necessária, o Homem, o Filho, a Criação, o Coração nunca teriam feito parte da história do cosmos, porque tudo era completamente coeso e amado sem o saber!

“Não somos aquilo que pensamos pois nossa essência está no coração mas nem por isso é o coração.”

quinta-feira, junho 24, 2004

Evoluir sem sair do lugar


26.04.04

Sempre existem momentos de completa necessidade de recolhimento. Ouvem-se vozes dizendo que não é possível regredir, involuir, deixar de evoluir, como quiserem; contudo torna-se necessário compreender que essas afirmações são parte de uma imagem total que nos mostra que sim é possível estarmos anos e anos, no tempo e como humanos, fora do nosso trilho e sempre voltando a poder percorrer o que já percorremos...até ali, mas basta um segundo de verdadeira Aspiração para que o trilho oculto se abra à nossa frente! Por isso sempre existem momentos de completa necessidade de recolhimento.

O Som, com todas as suas notas e a Luz, com todas as suas cores e irradiações, activam em nós o nosso trilho que nada mais é do que o percurso de ti para Ti. A vida não tem sentido, mas a busca do nosso Eu dá um sentido à Vida, com todas as suas reais e igualmente importantes possibilidades.

Esse Eu que afinal é Nós, que é dEUs que é tudo, que é a bacia de sustentação deste (o vazio, o nada)...

A Família, a Grande Família é muito mais esse Eu enquanto que a família é a bacia de sustentação, que tal como o nome indica é inerte, segura mas não produz movimento. Quando pais e filhos não se entendem tal significa que Aquilo que é Individual em nós está a começar a manifestar-se, é chegada a hora do seu parto! Parece desarmonioso mas é harmonização pura e o que é puro tem essa potência e qualidade: a de trazer tudo à tona, a de não deixar absolutamente nada de fora, como o branco que contém todas as cores. Isto é que é Pureza não é voltar a ser infantil, nem voltar a não ter consciência, ou voltar a um estado primitivo de ser, como por vezes se pensa...

Então procurar fora as respostas não se torna frutífero a não ser... que o fora seja o dentro e o dentro o fora, conscientemente, pois a nível inconsciente tal sucede sempre, tanto que a nossa psique está constantemente a criar realidade. Tudo é sincrónico mas não é aí que está A Resposta. A Paz que é a verdadeira e única Resposta que tem o efeito que no fundo ansiamos é derramada sobre nós quando nos alinhamos quer o impulso venha de dentro ou de fora, que é o mesmo que dizer que venha daquilo que anseia para aquilo que é ansiado pois tudo o que vemos é porque faz já parte de nós.

Afinal já há algum tempo que S. Agostinho disse que podes fazer tudo desde que ames:

"Ama e faz o que quiseres.
Se te calas cala-te por amor,
se falas, fala por amor,
se corriges, corrige por amor,
se perdoas, perdoas por amor.
Semeia no fundo do teu coração a raíz do amor,
dessa raíz nascerá o Bem."

Amar é estar alinhado com o teu Eu, com a Grande Família, com o Grande corpo de Deus, é fazer dos teus olhos janelas da Grande Nave! Quando Amas, há Paz e a Verdade revela-se sem deixar marca intelectualizável pois é sempre única nesses termos mas perene no coração. Assim, quando amas tanto faz se os sinais, impulsos, perguntas, respostas, vêm de dentro ou de fora, é tudo o mesmo, é tudo um contínuo.

O problema só se põe quando pensas que não sabes quem és. É uma nova forma de pôr a questão, afinal há muita gente que diz não saber, mas quando lhe perguntamos o que não é normalmente sabe-o de imediato. Aqui está a bacia de sustentação bem à vista mas o que sustenta parece não ser processado. De tanto nos concentrarmos na tarefa da sustentação do Ser que era visto como a Centelha em Nós, esquecemo-nos de como, quem ou o que é essa centelha, e pior esquecemo-nos de vivê-la e assim deixámos de ser humanos, não somos somente animais, e o nosso comportamento aparenta-se mais ao de uma máquina.